A espera por Dorohedoro ficou mais longa — e mais amarga.
A Netflix confirmou oficialmente que a 2ª temporada do anime foi adiada para a primavera de 2026, frustrando parte do público que esperava um retorno ainda em 2025. A notícia veio pelo Polygon e foi rapidamente repercutida por veículos japoneses e fóruns de anime, consolidando uma tendência: a MAPPA está respirando mais fundo antes de mergulhar novamente no caos de Hole.
É um atraso que dói, mas também revela algo sobre o estado atual da indústria. Em tempos de hype constante, adiar virou não apenas uma necessidade técnica — mas um ato de sobrevivência.
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O anúncio que cortou o ar do fandom
O Polygon confirmou que a nova janela de lançamento foi definida para a primavera japonesa (abril a junho de 2026).
Segundo a Netflix, o adiamento se deve a “ajustes criativos” e ao “cronograma de produção”. Tradução: o estúdio precisa de mais tempo — e o público vai precisar de mais paciência.
O impacto foi imediato. Fãs nas redes sociais relembraram o longo hiato desde 2020 e questionaram se a segunda temporada realmente manterá o espírito experimental da primeira, marcada por sua mistura única de CGI, colagens e atmosfera grotesca.
Ao mesmo tempo, o anúncio reacendeu uma discussão antiga: será que o sucesso global da MAPPA se tornou o próprio inimigo?
Quando o hype engole o cronograma

A MAPPA vem de uma sequência de produções monumentais — Attack on Titan: The Final Season, Jujutsu Kaisen 2, Chainsaw Man e o vindouro Reze Arc.
Esse ritmo insano tornou o estúdio sinônimo de qualidade e intensidade, mas também de exaustão criativa.
Nos bastidores, relatos de carga horária excessiva e prazos impraticáveis tornaram-se frequentes. O resultado é uma equipe que precisa escolher entre manter o hype ou manter a sanidade.
O adiamento de Dorohedoro S2 não é apenas uma pausa: é um pedido de respiro disfarçado de estratégia.
A Netflix, que cofinancia o projeto, sabe que a MAPPA entrega resultados — mas também aprendeu com os erros de 2023 e 2024, quando atrasos em Vinland Saga e JJK afetaram a recepção pública.
Agora, o estúdio parece preferir perder tempo do que perder reputação.
E o público? Reclama, mas entende.
O hype exige sacrifícios, e em Dorohedoro, o caos sempre teve um preço.
O universo grotesco de Hole e a dificuldade de replicar o absurdo
Reproduzir o mundo de Dorohedoro nunca foi simples.
A série, baseada no mangá de Q Hayashida, mistura violência absurda, humor negro e surrealismo urbano em doses que poucos estúdios ousariam tentar.
A primeira temporada impressionou justamente por abraçar o feio — um CGI imperfeito, mas coerente com o tom da obra.
Agora, a expectativa é que a MAPPA refine esse estilo sem apagar o caos original.
Fontes próximas à produção mencionam mudanças de pipeline e uma equipe parcialmente nova, com foco maior em textura e iluminação — sinais de que o estúdio busca um salto técnico.
Mas é um jogo perigoso: o excesso de polimento pode apagar o charme underground que fez Dorohedoro se destacar.
O desafio, portanto, não é apenas entregar uma continuação. É manter viva a estranheza que o tornou culto.
A reação do público: entre frustração e empatia
Nos fóruns e timelines, o sentimento predominante é ambíguo.
Há quem enxergue o adiamento como uma nova facada no hype — afinal, quatro anos de espera testam até o mais paciente dos fãs.
Mas há também empatia: muitos lembram o cenário recente de animadores sobrecarregados e defendem o tempo extra como um mal necessário.
Alguns usuários até brincaram que “o verdadeiro feitiço de Dorohedoro é fazer o tempo passar mais devagar”.
Humor à parte, o caso mostra uma maturidade crescente entre os espectadores: a compreensão de que um anime não é produto de mágica, mas de trabalho humano.
No fim, a frustração não vem da espera — vem do amor.
E, paradoxalmente, é esse amor que mantém o hype aceso mesmo após mais um adiamento.
Nosso Veredito
O adiamento de Dorohedoro S2 é o retrato de uma indústria que corre rápido demais para quem desenha à mão.
A MAPPA e a Netflix optaram por desacelerar — não por fraqueza, mas por necessidade.
Num cenário em que o hype é tratado como combustível infinito, parar é quase um ato de rebeldia.
A espera será longa, sim. Mas se o resultado preservar o caos, o absurdo e o charme distorcido que fizeram de Dorohedoro uma das obras mais únicas da última década, o tempo jogará a favor.
No fim, a pergunta não é por que atrasou, e sim por que estávamos com tanta pressa.







